ELABORAÇÃO DE UMA METODOLOGIA PARA O USO DO LABORATÓRIO DE CIÊNCIAS COMO FACILITADOR DO ENSINO DE CIÊNCIAS.
Danielle Cristina Oliveira Ferreira1
Eila Bentes de Vasconcelos2
Luana Taisse de Oliveira Alemão3
Rosa Azevedo4
Resumo
A pesquisa foi bibliográfica e teve como objetivo conhecer como o laboratório de Ciências pode contribuir para facilitar o Ensino de Ciências, identificando o que os teóricos dizem sobre a utilização do laboratório de Ciências no Ensino de Ciências e conhecendo como os professores utilizam os laboratórios de Ciências na aula de Ciências, e por fim elaborar uma metodologia para utilizar o laboratório de Ciências baseada nas metodologias padrões. E a partir da aplicação da metodologia fica claro o efeito da associação das aulas práticas de laboratório de ciências com as aulas teóricas que, através da prática de laboratório o aluno tem a oportunidade de observar visualmente os processos dos quais ele estuda nas aulas teóricas, podendo notar com maior clareza os efeitos dos fenômenos das ciências e relacioná-los com o seu cotidiano.
Palavras-Chave: Ensino Ciências; Metodologia; Laboratório de Ciências.
Introdução
A utilização do laboratório didático como parte integrante do Ensino de Ciências nas escolas de nível fundamental, segundo Benite (2009), tem suas raízes no século XIX. Isso deixa evidente que o laboratório é usado há bastante tempo, motivo para incentivar ainda mais o seu uso nas escolas.
No entanto para que essa utilização ocorra de modo a contribuir para melhorar o Ensino de Ciências é preciso que os professores tenham clareza teórica e metodológica para a utilização do laboratório com os alunos. Por outro lado, para compreensão da Ciência é necessário o desenvolvimento do raciocínio de todas as disciplinas, uma vez que o cerne da ciência é perceber, saber falar sobre e interpretar as transformações das matérias causadas pelo favorecimento de novas interações entre as partículas constituintes da matéria nas diversas situações.
A fim de contribuir para essa questão este trabalho tem por objetivos: Conhecer como o laboratório de Ciências pode contribuir para facilitar o Ensino de Ciências, através das identificações que os teóricos dizem sobre a utilização do laboratório de Ciências no Ensino de Ciências, e também conhecer como os professores utilizam os laboratórios de Ciências na aula de Ciências, e a partir dessa identificação e conhecimento, elaborar uma metodologia para utilizar o laboratório de Ciências. Para tanto, faremos uma pesquisa bibliográfica a partir de leituras e fichamentos de estudos que discutam a questão do laboratório no Ensino de Ciências.
Inicialmente entendemos que a aula prática aproxima o aluno do conteúdo, ele participa e compreende melhor o conteúdo, ou boa parte dele, mas antes de levar os alunos para o laboratório o professor deve ensinar as regras de comportamento no laboratório para evitar acidentes. Como as escolas de ensino fundamental ou médio apresentam um laboratório pequeno, o professor utiliza pouco esse espaço, com práticas bem simples, e muitas das vezes ele busca meio alternativo. E nessa concepção o professor tem que encontrar uma metodologia de como trabalhar as aulas laboratoriais.
Entendemos que com uma metodologia bem estruturada para se trabalhar as aulas práticas no laboratório, o professor enriquece mais seu conhecimento e aprende junto com seus alunos. E assim é possível realizar uma prática com turma de 30 ou 40 alunos, onde o trabalho pode levar alguns dias, mas é realizado. São também realizadas práticas com materiais alternativos que estão mais próximos do cotidiano dos alunos.
1 Laboratório no Ensino de Química
Os laboratórios são construções caras, equipados com instrumentos sofisticados, exigindo técnicos para mantê-los funcionando, os alunos precisam se deslocar até lá, as turmas não podem ser grandes, os materiais têm que ser freqüentemente substituídos e renovados, etc. Talvez, sejam em face destes motivos, que os laboratórios e as aulas experimentais de Química têm se tornado cada vez mais escassos (BENITE e BENITE, 2009).
Em uma pesquisa feita por alunos graduandos em química da Universidade de Brasília-UnB foi observado que o professor das escolas onde existe um laboratório está mais motivado, em virtude do incentivo que tem por possuir uma ferramenta tão valiosa e importante como o laboratório, a preparar aulas mais dinâmicas e interessantes, que busquem prender a atenção dos alunos e despertem neles a curiosidade de se estudar química. Das escolas pesquisadas 35,5% dos professores se limitavam a ministrar aulas teóricas deixando as demonstrações práticas para os professores específicos de laboratório, sabemos que o fato da escola possuir uma aula específica de laboratório já é um grande avanço, mas é importante que o professor demonstre também na sala de aula o quanto a química pode ser simples e fácil. No entanto, havia escolas que não possuíam laboratório, mas os professores procuravam ministrar atividades experimentais em sala, mesmo com precariedade (MORAES et al., 2002).
Em nossos contatos com professores do ensino de ciências, observamos que eles não utilizam os laboratórios e essa realidade é comum nas escolas públicas e as explicações são por falta de espaço e material. Os laboratórios nessas escolas são pequenos, onde suportam no máximo 15 pessoas e assim fica difícil trabalhar com uma turma de 30 ou 40 alunos, onde o professor acaba dividindo a classe em grupos, pois assim fica melhor de se trabalhar.
Com esses problemas citados, a maioria dos docentes prefere não dar aula nos laboratórios. Mas há exceções com alguns professores que por falta dos laboratórios utilizam outro método alternativo que é levar alguns materiais para sala de aula para que seus alunos possam aprender os assuntos que precisam de alguns exemplos práticos.
A interação que ocorre em sala de aula é mais que um simples encontro professor-aluno em torno de uma tarefa de aprendizagem (MORAES et al., 2002). O professor passar a ser para seus alunos um ponto de referência, caso esses alunos queiram ser futuros docentes. Um bom educador forma ciclos de amizade com seus alunos, pois acaba ensinando seus alunos a questionar assuntos que estão presentes na sociedade, ajudando a serem formadores de opiniões.
Os alunos entediam-se quando as aulas de química são só em sala, por isso eles não prestam atenção, ficam conversando e perdem o interesse pela disciplina. É comum quando se pergunta para os alunos qual a disciplina que eles não gostam na escola. A maioria responde: Química, Física e Matemática, a química sempre está no meio e os motivos são os métodos de ensino do professor, não basta apenas ter só aula prática ou só teórica, é preciso que os alunos percebam a fusão dos dois conceitos.
Nesse sentido, o laboratório de ciências apresenta-se como uma alternativa para o ensino de ciências pelos professores e alunos.
1 O uso do Laboratório de Ciências
Os professores de ciências em geral acreditam que a melhoria do ensino passa pela introdução de aulas práticas no currículo. Curiosamente, várias das escolas dispõem de alguns equipamentos e laboratórios que, no entanto, por várias razões, nunca são utilizados, dentre às quais cabe mencionar o fato de não existirem atividades já preparadas para o uso do professor; falta de recursos para aquisição de componentes e materiais de reposição; falta de tempo do professor para planejar a realização de atividades como parte do seu programa de ensino; laboratório fechado e sem manutenção. São basicamente as mesmas razões pelas quais os professores raramente utilizam os computadores colocados nas escolas. (Borges, 2002).
Com base em algumas pesquisas é notório que professores utilizam pouco os laboratórios de ciências e uns por situações precárias das escolas utilizam atividades de campo, pois para que essa atividade seja feita o professor tem que ter domínio do lugar a ser visitado, para poder saber o que deve ser explorado dos alunos, e esses lugares passam a ser também um laboratório. Berezuk e Inada (2010) esclarecem que a falta de atividades de campo no processo de ensino tem como conseqüência o empobrecimento didático e isto ocorre pela falta de contato do aluno com a realidade, prejudicando o desenvolvimento de sua cidadania.
É importante que os professores de Ciências levantem, em primeiro lugar, em seu planejamento, quais atividades práticas demandam a utilização de laboratórios e quais poderiam ser realizadas sem os mesmos. Desta forma, o professor poderá perceber que existe uma gama de experimentos que podem ser realizados em grupos na própria sala de aula, por exemplo, quando se trata da classificação de seres vivos, em que insetos, plantas ou mesmo materiais como conchas, frutos entre outros materiais biológicos que não oferecem riscos ao aluno possam ser manipulados e estudados. (Berezuk e Inada, 2010).
E a partir desses planejamentos são elaboradas as atividades que deverão ser feitas nos laboratórios de ciências pelo professor, aplicando uma metodologia que possa ser compreendida pelos alunos.
3 Metodologia para o uso de laboratório de Ciências
Existem várias metodologias que são usadas nos laboratórios do ensino de ciências. Mostraremos uma que não foge dos padrões, mas para isso o responsável, ou seja, o professor ao aplicar a metodologia tem que ter a consciência do nível de conhecimentos dos alunos e se ela vai ser compreendida. Para melhor compreensão, a metodologia que elaboramos com base no referencial teórico, principalmente no que diz Berezuk e Inada (2010), e também em nossas experiências como acadêmicas do curso de Licenciatura em Química, é composta por cinco momentos.
Para desenvolver a metodologia utilizada como exemplo o conteúdo “Ácido é Bases”, que é trabalhado com os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental. São duas principais funções químicas. O ácido tem sabor azedo e está presente em muitas substâncias usadas no nosso cotidiano: vinagre, suco de limão, laranja, uva, maçã, entre outros.
Em nível operacional, pode ser identificado por meio de das substâncias que mudam de cor na sua presença: os indicadores (papel de tornassol (rosa ou azul)). Segundo Arrhenius, ácido é toda substância que, em solução aquosa, origina como único cátion o H+ (H3O+). Podem reagir com metais, carbonos e bicarbonatos. Os principais ácidos são: Ácido fluorídrico, ácido clorídrico, ácido sulfúrico, ácido cianídrico, entre outros.
Já as bases possuem sabor adstringente, que “amarra” a boca. Estão presentes nos sabões. A primeira definição de base (chamada também de álcali), foi dada por Arrhenius: “toda substância que, em solução aquosa, origina o OH- como único tipo de ânion”. Podem reagir com ácidos e também agem sobre indicadores. As principais bases são: Hidróxido de sódio, hidróxido de magnésio, hidróxido de cálcio, etc.
Passamos então para a metodologia proposta:
1º. Abordagem da temática em sala de aula antes de ir para o laboratório: onde o professor deve abordar o assunto relacionando com a prática antes de ir para o laboratório, pois assim o aluno quando chegar ao laboratório terá uma noção do que se deve fazer na hora da prática.
2º. Esclarecimento quanto ao uso do laboratório: o professor deve esclarecer aos seus alunos como eles devem se comportar no laboratório, falando as regras para que não ocorram acidentes.
3º. Montagem da aula prática no laboratório, juntamente com os alunos: o professor deve montar os kits para aulas práticas e falar da importância de todas as vidrarias e materiais usados no experimento.
4º. Procedimento experimental: nesta seção deverá conter o procedimento da prática elaborada pelo professor. Esse procedimento deve ser revisto juntos com os alunos, sempre dando dicas do que eles devem fazer para chegar a um resultado. Caso os alunos errem o procedimento o professor deverá rever o procedimento para ver onde eles erraram.
5º. Avaliação: o professor pediria um relatório sobre a aula prática, mas antes ele explicaria como seria esse relatório: sua estrutura básica. Esse relatório deve permitir ao professor avaliar e acompanhar o desempenho de seus alunos.
4 Conclusão
Com base nas pesquisas feitas é difícil achar uma metodologia padrão para ser usada pelos professores no laboratório. Acreditamos que a metodologia apresentada nessa pesquisa poderá ser bem aceita por professores e alunos. Sabe-se que aulas práticas que envolvam não só teoria, mas também o cotidiano dos alunos são de fundamental importância para o processo de ensino- aprendizagem. Nesse sentido, o professor também passará por um melhor desenvolvimento no seu campo profissional, tornando a si mesmo e aos alunos autônomos da produção de seus próprios conhecimentos. Não só na área da química, mas nas demais áreas a prática é fundamental. No caso, o uso do laboratório facilita a aprendizagem dos alunos, além de despertar curiosidade com os experimentos aplicados, o que melhora a compreensão dos assuntos abordados.
5 Referências
BENITE, Anna Maria Canavarro e BENITE; Cláudio Roberto Machado. O laboratório didático no ensino de química: uma experiência no ensino público brasileiro. Revista Iberoamericana de Educación, 2009.
BRASIL. Parâmetros Curriculares Nacionais: Ensino Médio. Brasília: Ministério da Educação, 1999.
BORGES, A. Tarciso. Novos rumos para o laboratório escolar de ciências. 2002.
Disponível em: < www.periodicos.uem.br/ojs/index. php/actascihumansocsci > Acesso em: 10 out 2010.
BEREZUK, Paulo Augusto; INADA, Paulo. Avaliação dos laboratórios de ciências e biologia das escolas públicas e particulares de Maringá, Estado do Paraná. Acta Scientiarum. Human and Social Sciences. Paraná, 2010.
MORAES, Fábio Luiz de.
SOUZA, Hécio Wanderley de Almeida. RODRIGUES, Ricardo da Cunha. BATISTA, Walter A. de Almeida.
Atividade Experimental no Ensino Médio Público. 2002
. Disponível em: < www.fe.unb.br/revistadepedagogia > Acesso em: 10 nov 2009.
SILVA, Fabio W. O. da; PEIXOTO, Marco A. N. Os laboratórios de Ciências nas Escolas Estaduais de Nível Médio de Belo Horizonte. Educação &Tecnológica. Belo Horizonte, 2003.
USBERCO, João; SALVADOR, Edgard. Química Volume1: Química Geral. 14 ed. São Paulo: Saraiva, 2009.
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1,2,3- Alunas do Curso de Licenciatura em Química do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas- IFAM.
4- Mestre em Ensino de Ciências. Professora do Curso de Licenciatura em Química do Instituto Fedreal de Educação, Ciência e Tecnologia do Amazonas- IFAM.